Por que escrevo?
Escrevo para não morrer.

(José Saramago)

sexta-feira, 14 de março de 2014

DESEJOS (Ao dia internacional da poesia)

 AO DIA INTERNACIONAL DA POESIA...


DESEJOS (Rosidelma Fraga. IN: Cantares de Amor).

Apareço de costas em meu verso
como quem tira o roupão atrás da porta.

Excito a voz rouca do poema
fecho o botão da camisa
e saio desnuda frente ao espelho.

Rasgo o véu da palavra incerteza
E certamente banho na fonte
das metáforas de ser e de amar.

Toda nua, toda rouca, toda cheirosa
A poesia sai de mim pé por pé
E se entrega na cama do desejo lírico.

Depois de ser amassada e sugada
A poesia sai de madrugada
e lê um convite caído ao chão:

VAI TER UM BAILE NO CÉU
ONDE DEUS TODO NU VIRARÁ CANÇÃO.
A poesia entrará de pernas abertas
pela porta da frente e com seios fartos.

Eis que os anjos calar-se-ão.
E eu chego descalça
Viro Afrodite com saia de Eros
E sambarei por toda a minha vida.

2 comentários:

Débora Tavares disse...

Belíssimo!

CHIICO MIGUEL disse...

Rosidelma, muito estimada amiga prefaciadora, a quem muito agradeço pela honra: - Visito-te hoje para ver teus poemas, mas com este eu já fiquei satisfeito: É daqueles que matam a fome da gente. "Tu, só tu, minha querida poeta, serias capaz de tanta ousadia em poesia". És nossa ninfa da poesia e deusa da literatura, além de que és tão humana que até nos humilha, abraço do lado esquerdo do coração e uns beijos de saudade, amiga.
Chico Miguel.