Por que escrevo?
Escrevo para não morrer.

(José Saramago)

sábado, 27 de agosto de 2011

QUADRO MUDO

(Aos músicos e organistas da Congregação Cristã no Brasil)


Dos passos mudos na calçada noturna
e do violoncelo tocado daqui do firmamento,
dedilho o minuto comunicante do vazio.

Deste espaço instaurado entre a ausência,
a canção grave e o toque do sapato do mendigo,
rabisco a poesia na folha trazida pelo vento,
lá do lugar que os homens se mordem de incompletude.

Com meu olhar detalhista,
pinto a agonia nostálgica da mulher na estação,
aquela que se perdeu a espera dos amores
e apodreceu na escuridão.

Concluo minha música lírica na ultravida das galáxias:
“O Senhor é meu pastor nada me faltará"
E eis que o meu cálice de palavras veio a transbordar.


3 comentários:

A Mente dos Inválidos disse...

Esse quadro, sinceramente, eu não sei como falar, a não ser as não palavras para admirar tão grande poesia! Singular e também plural, muito bom!

CHIICO MIGUEL disse...

Eis um poema de muita inspiração, há outros no seu blog, mas fisguei neste.
Penso que sód duas coisinhas faltam a você nesse poemas: ter um cuidado maior com as rimas e usas palavra mais
curtas. As rimas às vezes enfeitam, outras enfeiam; as palavras longas matam o ritmo, nem sempre são poéticas.
Estas as dificuldades para um poeta que amar a forma e tem o que dizem, em lingua portuguesa.
Dou-te meus parabéns por tua poesia. Se tiver um tempinho, visite meus blogs:
http://franciscomigueldemoura.blogspot.com
http://cirandinhapiaui.blogspot.com
http://abodegadocamlo.blogspot.com

Obrigado, amiga
abraços
francisco miguel de moura

ROSIDELMA FRAGA disse...

Francisco Miguel Moura,

grata por ler e comentar. É uma honra receber visita de leitura de um escritor e leitor como você. Aguardarei o teu livro Menino quase perdido para eu ler.
Quanto às rimas em meus poemas,sinceramente nunca planejei. Sobre os versos longos inspirei no Bandeira e as palavras que nem sempre são poéticas culpo a minha má leitura de João Cabral (risos). Foi boa a dica de um grande nome, sincera e me fará refleir sobre a condição de ser poeta.Até me veio na mente um comentário do Merquior sobre os versos e prosaismo do Geir Campos (que na visão do crítico passa longe de ser poeta). Eu, nesses termos, nem chegaria a ser. Mas o que é a poesia? O que é ser poeta? A gente responde isso todo dia para os nossos espíritos!