Por que escrevo?
Escrevo para não morrer.

(José Saramago)

terça-feira, 29 de março de 2011

A TERCEIRA MARGEM

(Ao admirável Guimarães Rosa)

 

Nas águas do tempo ininterrupto
revelo-me e desvelo
a nudez dos flancos da tarde.

À margem do mundo feito fosca luz
seguro a outra dimensão da margem
do rio que corre no voo da alma.
O rio explode nas veias comunicantes
entre mim, o finito e o infinito.

Enfim, dispo-me
dessas águas do tempo,
penetro na ponta dos pés das palavras...
Ouço do silêncio das outras águas
que o amor é o rio que transcende
a terceira margem para além do Universo.





8 comentários:

Alice in Wonderland disse...

Que lindo Rosidelma. Não conhecia seu blog. Adorei. Beijo!
Alice

Rosidelma Fraga disse...

Obrigada. Visite sempre!

Luiz Alfredo Nunes de Melo disse...

Não esqueci de você poeta, estava numa fase de lagarta trocando de corpo, não sou mais o da foto, agora sou um poeta magro. Quando li teu poema, estava com os versos do Borges na cabeça, tinha acabado de le-lo: mirar el río hecho de tiempo y água/y recordar que el tiempo es otro río.. teu poema faz uma katabase;sai da finititude para a infinititude. "a nudez dos flancos da tarde para uma terceira margem..."Só não compreendo como o amor pode ultrapassar o infinito.
Mas a poesia de Rosidelma é capaz disto. Estou no teu blog novamente.

Luiz Alfredo - poeta

Rosidelma Fraga disse...

Obrigada amigo Alfredo pela visita e leitura!

Rubens Vaz Cavalcante disse...

O poiesis continua muito legal. É bom saber que existem pessoas preocupadas em perpetuar a poesia. Mandei o endereço do blog para todos os meus contatos. Continue firme

Rosidelma Fraga disse...

Obrigada poeta Binho.
Visite o poiesis sempre!

A Mente dos Inválidos disse...

Tenho até receio de comentar, mas quanta intensidade: lembrei da leitura sartreana que estou fazendo: o finito e o infinito. Você escreve muito bem, parabéns; como diz a Maria Bethânia: o mundo precisa de poesia!

Rosidelma Fraga disse...

Obrigada pela leitura. Sinta-se à vontade para ler e comentar.
Abraço em verso.